AROMATERAPIA

Girassóis, Van Gogh
"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores,
Se não houver flores, valeu a sombra das folhas,
Se não houver folhas, valeu a intenção da semente."
(Henfil)

O homem primitivo talvez tenha descoberto acidentalmente a forma de utilização de algumas plantas. Alguns pólens fossilizados foram analisados e encontrados vestígios de plantas hoje conhecidas como medicinais.

Quando galhos e folhagem eram utilizadas nas fogueiras, seus aromam provocavam relaxamento ou induziam à rituais. A própria queima de ervas por defumação ou fumo para beneficiar doentes, era uma prática religiosa e medicinal. Foram expericiando alimentos e descobriram que algumas plantas aromáticas produziam sabor agradável.

Alguns povos ficaram confinados a estes conhecimentos ou até a confecção de roupas com a utilização da linhaça. Porém, os egípcios desfrutaram de todo refinamento possível, como pirâmides, cultura, arte, religiosidade e rituais.

Foram recuperadas caixas de cosméticos com potes e jarras feitos de pedra que continham cosméticos e ungüentos perfumados.

O chumbo branco era para branquear o rosto; ocre vermelho para colorir a face e lábios e henna para colorir mãos e unhas de amarelo solar.

Quando a tumba de Tutankhamon foi aberta em 1922, vasos e potes datados de 1350 A.C., foram encontrados com ungüentos contendo olíbano misturados a uma base de gordura.

Papiros registram o uso de ervas e o receitar de fórmulas era comum na época. Algumas receitas foram traduzidas do período de 2800 A.C. Eram mencionados- mirra, cipreste, olíbano, junípero e cedro. Existia um incenso (Kyphi) que era queimado ao por do sol e que tinha 16 ingredientes para auxiliar a dormir, diminuir a ansiedade e melhorar os sonhos. O óleo de cedro era usado em mumificações; para proteger os papiros dos insetos e para conservá-los o óleo de mirra. Os cones que vemos nas figuras egipciais nos papiros, eram formas de perfumar a cabeça e o corpo, pois derretiam lentamente.

Em muitos textos sagrados surge a mirra, assim como o azeite de olivas, para a fabricação de óleos sagrados (que era confinado somente aos sacerdotes!).

As mulheres judias quando cruzavam o deserto, levavam saquinhos de linho contendo mirra e outros aromas, constituindo um eficiente desodorizador. Os gregos obtiveram seus conhecimentos em aromaterapia com os egípcios. Para o físico esmagavam o cedro, olíbano, cipreste e untavam todo o corpo. Assim estudavam a importância de untar os pés, braços e peito, usando manjerona, menta e tomilho.

Conhecia-se os emplastos para dispersar tumores e abcessos utilizando rosas. Já os romanos, acondicionavam os óleos em garrafas e caixas redondas de marfim; perfumes sólidos e em pó, eram utilizados.

Usavam perfumes não só no corpo, mas em banhos públicos, perfumar camas, bandeiras militares e paredes das casas. O jasmim era muito utilizado!

Embora algumas formas de destilação serem conhecidas, foi por volta de 1000 D.C., é que o árabe Avicena, recebe o crédito de ser o inventor da serpentina refrigerada. Destilou tanto essências como águas aromáticas, sendo a água de rosas conhecida em toda a Europa.

As cruzadas obtiveram vários conhecimentos das “mulheres sábias”, que eram tidas como bruxas.

No século XIII, inicia-se o modismo da água de lavanda.

O sândalo sempre foi utilizado pelos indianos, tanto em incensos como ungüentos sagrados, acrescidos da rosa e jasmim.

A China conta também com grande tradição, como complemento às suas técnicas com mais de 8000 fórmulas, algumas adicionadas a minerais (enxofre, ferro, mercúrio).

Não se esquecendo da importância dos chás, para restaurar o físico e o campo energético. Até o século XVI, o ópio era somente usado contra desinteria e dores.

Na África, a unção dos corpos era feita com óleo de coco perfumado com ervas e no Taiti fazem parte de uma pomada oleosa que se adicionava sândalo, expressando a importância do aroma no cuidado com a pele e os cabelos.

Muitos manuscritos ingleses, que datam dos séculos XIV e XV, foram achados, mostrando a aplicação do olíbano para o fígado e baço e menta para o estômago, já mostrando o conhecimento da utilização de óleos essenciais nos órgãos internos e na massagem.

Até o século XIX, os profissionais de medicina, levavam caixinhas com aromáticos no castão de suas bengalas. Eram anti-sépticos pessoais, pois na grande peste, esses aromas eram pendurados no peito ou queimados nas enfermarias e hospitais.

Pela popularidade, a medicina herbática começou a ser comercializada pelos charlatões e as pesquisas ficavam mais rígidas, porém em Grasse, na França, Renné- Maurice Gattefossé(químico), começa a pesquisar o valor anti-séptico para cosméticos, e acidentalmente, descobre as propriedades da lavanda; quando se queima em seu laboratório; e se surpreende com a rapidez da cicatrização. Menciona em um de seus textos a necessidade de usar cosméticos com estruturas naturais e menciona Aromaterapia como terapia natural.

Em 1938 é publicado um artigo por um colega seu, que havia montado uma clínica de Aromaterapia em Los Angeles e menciona “cura com lavanda”.

Mais tarde, Jean Valnet, médico, que se interessa pelo uso terapêutico das ervas, começa a usar óleos essenciais em seus tratamentos de ferimentos de combate.

Dr. Gatti e dr. Cajola (Itália), apresentavam trabalhos valiosos; tanto medicinais como psicológicos; com óleos essenciais e Paolo Rovesti que contribuiu com estudos; de bergamota, limão e laranja; e o benefício das essências em estados de ansiedade e depressão.

Foi Madame Maury que adicionou o óleo essencial à estética e cosmética por intermédio da massagem.

Os óleos essenciais são voláteis e vão até o sistema límbico onde são reconhecidas suas estruturas moleculares e fazendo o seu efeito. Por isso se for sintético não será reconhecido totalmente, talvez somente alguns traços.

Utilizamos óleos essenciais que tenham laudo de qualidade, comprovando sua origem e plantio e pureza de destilação.

Devem estar condicionados em vidros escuros, com data de validade, nome botânico e lacrados.

A inalação dos óleos essenciais, como vimos, atinge os nervos olfativos, trazendo à memória, sensações ou lembranças, manifestando comportamentos, atingindo assim nossos registros emocionais. Com a massagem, o óleo essencial é levado à corrente sangüínea e este o conduz aos órgãos.